1 ano e 3 meses no limbo.
Nunca tive o menor problema com a solitude. Pelo contrário. Aos 14, meu sonho era morar só. Aos 28 senti como se pudesse andar nas nuvens quando realizei o sonho da menina Débora.
Mas, ultimamente tenho me perguntado por que era mais fácil no Ceará.
Fecho os olhos e me vejo em momentos triviais, andando pelo centro naquele calor desesperador de Fortaleza. Me pego revisitando ruas aleatórias, até mais do que pensando nos meus lugares preferidos. Sempre uma sensação de pertencimento.
O mesmo acontece com Tianguá. Memórias aleatórias de rituais bobos como tomar açaí com pitaya no shopping (senti até o sabor agora) ou voltar pra casa andando às 22h, depois de horas dando aula e, após um banho quente, deitar na rede da varanda ouvindo Caetano e contemplando a lua e as luzes da igreja.
Ir para Viçosa ou Ubajara sempre que quisesse só mesmo pra respirar um ar diferente, ficar perto da natureza e passear por entre as nuvens.
Me sentir a filha de Oxum mais abençoada por tantas cachoeiras tão acessíveis.
De ficar até o fim da tarde na lagoa do paraíso.
De admirar as noites da praia da Baleia, os restaurantes de Canoa e a paz do Cumbuco.
Sempre me senti em casa em São Paulo, mas desde que me mudei pra Guarulhos sinto dificuldade de me conectar com a vida, com a rotina e até com o lugar onde moro, salvo quando estou vendo música na TV. Ainda não consegui decifrar esse enigma.
Fecho os olhos e já aparece o Ceará de novo. Não consigo me ver voltando a morar lá, mas também não entendo porque é tão difícil estar em Guarulhos ao mesmo tempo em que não consigo me imaginar hoje - por enquanto - em nenhum outro lugar do mundo.
Estou no mesmo limbo de 2017 em que nada me acontece, mas que a qualquer momento pode acontecer. Em 2017 minha vida mudou radicalmente e só de pensar em 2024 meus olhos enchem d'água porque não sinto que as mudanças estão nas minhas mãos, simplesmente porque não consigo identificar o que eu deveria ou mesmo gostaria de estar fazendo.
Me resta basicamente aceitar esse momento como aceitei em 2017.
Ter conseguido sentar aqui e escrever sobre minha vida já é um imenso avanço, já que minha vida tem se resumido a atender e dar aulas. Quando muito, uma vez a cada 2 meses, consigo ter energia pra pintar.
Queria muito que 2024 não fosse uma espécie de 2023.2, vivendo sozinha, conectada com a espiritualidade, cuidando das feridas da minha criança interior, trabalhando, vendo música na TV e agradecendo pela vida do Cselinho.
As coisas estão obscuras. Mas vai passar. Eu sinto. Está perto.
Algo vai mudar e eu voltarei pra contar.



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