Quem somos nós
[Escrito há uns meses. Publicado só hoje]
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Tô chorando há uns 30 minutos me perguntando quem eu sou.
Se não sou os filmes que assisto ou as músicas que ouço, quem eu sou?
Se não sou o que eu escrevo na minha agenda, quem eu sou?
Se não sou os personagens com os quais eu me identifico, quem eu sou? (Ok, aqui fiz uma referência - ou uma homenagem, talvez - ao meu mestrado na psicologia. Talvez nem referência nem homenagem, mas a tentativa de me convencer que os anos de estresse naquela universidade serviram, pelo menos, pra fazer esse post.)
Certa vez, meu professor de teatro fez essa provocação. "Se você não é seu nome e sua profissão... e se você não pode se definir como filha de fulano e fulana e mãe de sicrano, quem você é, afinal?".
Eu poderia falar o clichê espiritual "uma alma vivendo uma experiência humana". Mas não basta, né? Porque é justamente essa humana que eu quero conhecer. Quem sou eu para além do meu nome?
Esses dias caí num vídeo falando sobre o Fabuloso Destino de Amélie Poulain e caí na besteira de me lembrar o quanto me identifico com a Amélie. Não durou uns dias, fiz a excelente descoberta que pessoas com as quais não acho que me identifico em nada se identificam com o mesmo filme.
Que estranhamento que me deu.
Em primeiro lugar, estranhamento por me deparar com a vontade do meu ego de parecer diferente ou especial pra alguém me associando a um filme. (Às vezes, acho que algumas partes minhas não saíram dos 15 anos).
Em segundo lugar, estranhamento por me dar conta de que, afinal, não sei quem eu sou. E, obviamente, querer qualquer coisa hoje, menos ser lembrada por gostar da garçonete francesa.
Então, tive a maravilhosa ideia de revisitar meu blog de 11 anos atrás. Infelizmente, as imagens se perderam e eu não vou poder deixar registrado o recadinho do sr. Manoel. Mas escolhi esse texto pra repostar que não me define, mas mostra um pouco de como as pessoas me viam.
Aparece o sol
Inicia o dia
É seis d'a manhã
Vêjo uma estrê-la
Rezei três avé maria
Ao ver a estre-la brilhando
Uma luz, uma poezia
Rezei tres avé maria
Tem Débora Duarte
Tem Débora Sêco
Tem Débora Estrê-la
No meu condomínio
Rezei novamente
Três avé maria"
Tão bom se sentir querida. Sair correndo pra pegar o ônibus e aquele senhor lá longe, que você troca apenas 'bom dia', dizer: "-Moça! Quanto tempo! Como você cresceu, te vi pequenininha assim. Senti falta de ver você correndo por aí assim, com essa alegria toda". Nem sei o nome dele, mas não vou esquecer dele nem do que ele falou. Ah! Mas foram tantas outras vezes, pessoas que eu jurava que nem me notavam, me elogiando por algum detalhe de tempos atrás. Esse senhor, por exemplo, sempre nos cumprimentamos. É um senhor que faz comida pra vender, salgados, quentinhas, doces, enfim, sempre nos encontramos por aí. Ele mora aqui no condomínio, deve ter seus 60 ou 70 e poucos anos. Muito simpático, disse pra minha mãe que fez esse poema, no dia em que me viu esperando o ônibus cedinho da manhã, achou tão bonito. Correu pra escrever "por que essas coisas, sabe, dona Socorro, a gente tem que escrever logo, senão esquece". Pessoas simples.. Gosto tanto.. Tantas delas já 'salvaram meu dia', meus 'anjos'. Conhecidos ou não..
Ele pediu pra que eu corrigisse o poema. Corrigir, Sr. Manoel? Corrigir o que? :)


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