Karma.
Era 2018 quando passei uma semana em Brasília para chorar tudo que não chorei em 5 anos vivendo uma vida em que eu não era honesta nem comigo mesma nem com ninguém. Namorava uma pessoa, apaixonada por outra, pra quem eu dizia: "Eu amo você, mas não posso ficar com você."
Eu disse ali exatamente o que meu pai dizia para a minha mãe.
Sem muitos detalhes, posso dizer que cresci num lar em que não se é permitido assumir o amor.
Manter as aparências, escolher o mais conveniente e "confortável" foi meu exemplo de relacionamentos.
Assumir o amor é sinônimo de punição. Até parece que vai acontecer algo muito ruim se assumirmos um relacionamento com alguém com quem a conexão é forte.
Eis que, nos últimos dias, estive com duas amigas próximas.
Uma delas, casada, disse que talvez menos de 10% das pessoas casem com pessoas com as quais a conexão é assim, surreal (lê o post "Rita e Roberto" aqui no blog).
A outra disse que pra ela casamento é contrato: boa convivência, mesmos valores e disposição para educar os filhos é o suficiente.
Confesso que fiquei levemente preocupada com minha própria percepção das coisas.
Simplesmente porque, pra mim, não faz sentido estar em um relacionamento em que eu não sinta a forte conexão no olhar, nas mãos, no coração. Prefiro ficar só.
Voltando à primeira linha do texto, lá em Brasília chorei tanto! Aquelas ruas floridas de perfumes inesquecíveis me viram prometer a mim mesma que nunca mais empurraria um relacionamento com a barriga com medo de assumir meus sentimentos.
Entrei no Sebinho*, tomei um chocolate quente, entrei na lojinha e comprei um estandarte com um trecho do poema abaixo do Oswaldo Montenegro:
"Que a força do medo que tenho


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