Felicidade, silêncio e amor.


Nesse lugar virtual em que me encontro comigo mesma, escuto essa música após uma espécie de ritual de olhar para as próprias sombras que foram silenciadas por 33 anos.

Fazemos isso para sobreviver. E sobrevivemos. Mal e porcamente, mas sobrevivemos.

Alguns de nós morrem sem conseguir entender o que aconteceu nisso aqui que chamamos de mundo.

Deram seu melhor e foram como puderam. Para o outro lado ou para o nada, se eu acreditasse em nada.

Já eu nasci com uma espécie de semente ou chip que me dão uma ânsia absurda de procurar a mim mesma. Entender a mim mesma, minha história. Mergulhar fundo.

Quando criança (e essa música me remete a minha infância), eu soprava a velinha de aniversário pedindo pra ser feliz. 

Ser feliz. Essa coisa que experimentei algumas vezes na vida e vez ou outra tenho um lampejo, quando não estou vivendo no automático.

E sigo! Sigo e sigo e sigo buscando. O que mesmo eu não sei. A felicidade?

Mas de tanto que já busquei por ela fora e dentro de mim, não seria mais fácil ficar mais tempo com ela? Ela mal fica para um café ou um sorvete. Ela mal fica numa lembrança de alguém que me fez sorrir e sentir coisas incríveis que agora se misturam com saudade.

33 anos. Amanhã meu pai faz aniversário e hoje eu tenho a idade que ele tinha quando eu nasci. 

Tanta coisa na minha mente, mas uma martela: eu tenho que aprender a ser feliz antes dos meus sonhos se realizarem. Que tarefa! Eu sei que consigo ter lampejos. Eu sei que não me sinto mais em depressão desde 2017, mas de lá pra cá me vi perdida e triste muitas vezes. Mas resisto. Resisto na esperança de viver o que minha alma anseia. 

Todos os dias acordo com uma mistura de vontade e esperança de ver tudo se realizar, como num passe de mágica! Como uma criança no banco de trás de uma viagem, quando pergunta: tá perto?

Oh, mas já estou cansada e irritada. Com fome de sonhos realizados, cansada de fazer o que dá pra ir levando enquanto não chego. Cansada desses quilômetros de carnaúbas (referência cearense) fincadas por anos a fio cumprindo sua missão e intercaladas por casas isoladas, pequenos açudes e muito silêncio. 

- Tá perto?

Enquanto não chega, eu pratico o que ensino. Achar a felicidade no agora. 

Exatamente agora, enquanto escrevo e limpo as lágrimas pesadas, eu sinto que a felicidade está aqui do lado me observando orgulhosa e pensando: "ela está fazendo um bom trabalho". Porque, por incrível que pareça, nesse exato momento em que choro pelas minhas faltas, me sinto preenchida de vida e amor. E se a felicidade não é amor, o que é?

















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